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A História de Pascal

Lidar com o cancro da mama e permanecer positiva durante e após o diagnóstico

O diagnóstico de cancro da mama vira ao contrário o mundo de qualquer mulher. Marca o início de um caminho de tormento físico e emocional que põe à prova as suas relações e a sua força interior. Mas, ainda que o futuro possa parecer incerto, há uma luz que brilha ao fundo do túnel.

Saber que muitas outras mulheres ao redor do mundo passaram por uma experiência semelhante pode ajudar a encontrar novas perspetivas e soluções para si. Por isso é que compartilhar essas histórias é uma das formas mais poderosas de entre-ajuda. 

Aqui partilhamos consigo a história de Pascal, ela conta como lidou com o seu diagnóstico de cancro da mama e como acredita no poder do pensamento positivo.

O Dia do Diagnóstico

Pascal foi diagnosticada com cancro da mama em 2015, com 47 anos.

"Na verdade, eu já sabia. Há algum tempo que sentia um espessamento na mama. O meu médico achou que não era nada, mas receitou uma mamografia onde não havia nada para ver. Pascal não se sentiu à vontade e o médico decidiu pedir uma ecografia. Afinal era um cancro da mama com gânglios suspeitos na axila. "A tua vida pára e a primeira coisa que pensei foi: ‘vou morrer e ainda sou tão jovem’. Felizmente, eu e o meu marido temos uma atitude positiva e pensamos: vamos ultrapassar isto.”

Antes do diagnóstico, Pascal trabalhava há 28 anos como assistente de um médico num centro de saúde e queria continuar a fazer o mesmo trabalho. “Contei a toda a gente e percebi que as pessoas nem sempre sabem como lidar com uma situação destas ou como devem responder. No entanto, sou um livro aberto e acredito que isso ajuda a quebrar tabus. Também dissemos aos nossos amigos imediatamente. ”

Mantenha-se positiva mesmo após as metástases

Pascal passou por toda uma gama de tratamentos. Primeiro quimioterapia, depois dupla mastectomia, radioterapia, terapia hormonal e um protocolo com medicamentos em ensaio clínico. "Foi só na quarta sessão de quimioterapia que comecei a sentir-me realmente doente, tive febre e tive que parar de trabalhar. Não sentia qualquer espécie de medo da operação, mas estava curiosa para saber como ficaria sem as minhas mamas. Após a operação, assim que consegui fui à casa de banho sozinha e vi o meu peito no espelho. Não foi difícil ver-me sem seios, ao contrário senti um orgulho enorme. Talvez ajude o facto de o meu marido também não ter quaisquer problemas com a falta dos meus seios.

Assim que terminou os tratamentos, Pascal voltou ao trabalho e à sua vida de todos os dias. Até que em Dezembro de 2016 sentiu um caroço no pescoço. “Todos os alarmes começaram a tocar. E sim, eram metástases."

O diagnóstico foi brutal: metástases nos ossos e nos gânglios linfáticos. Pascal decidiu procurar uma segunda opinião médica.

“É necessário ouvir os seus pressentimentos e não apenas confiar cegamente no seu médico. Se o que sente é que precisa de mais informação, seja sincera e diga o que sente. Discuta o diagnóstico com o seu médico. E tem todo o direito de consultar outro médico e pedir uma segunda opinião. Então se é o que sente, faça! No meu hospital, a opinião médica sobre as primeiras metástases foi que a minha única opção era o tratamento paliativo, porque já não ia melhorar. Procurei outro hospital onde me disseram: ‘Vamos resolver isto radicalmente e vai curar-se!’ Ouça os seus sentimentos e siga-os, porque vale sempre a pena!”

Pascal fez novamente tratamentos de radioterapia. Após os tratamentos recebeu a boa notícia de que todas as metástases tinham desaparecido. Durante dois anos manteve-se saudável. Em Dezembro de 2018, fez novo check-up, e os médicos encontraram um gânglio aumentado no pescoço. “Agora tenho metástases nos gânglios linfáticos, no pescoço e nas costas.  Estou a fazer tratamento com injeções de hormonas.”

Mas a positividade de Pascal mantém-se firme como um fio condutor ao longo da sua história. “Continuo a sentir-me bem. Parei de trabalhar quando foram diagnosticadas as primeiras metástases, mas faço muito trabalho voluntário e ainda sou muito ativa. Ainda corro os meus 5 quilómetros frequentemente. E continuo apaixonada pela vida."

Lema de vida antes, durante e depois do cancro da mama

Pascal acredita no poder do pensamento positivo e em se manter ocupada. “Durante todos os tratamentos, mantive-me ativa, tanto física como mentalmente. Faço uma alimentação saudável, pratico exercício físico e faço caminhadas. Eu sou positiva e mantenho esta forma de olhar a vida e o que acontece, sempre positivamente. Este é o meu lema para a vida.” Quando a informaram pela segunda vez que as metástases tinham voltado, Pascal decidiu fazer algo positivo com as suas experiências. Criou e continua a organizar um grupo de auto-ajuda para mulheres com cancro da mama. “É algo que recomendo a todas nós. Encontramos-nos uma vez por mês e é sempre muito bom. Ao conversar com outras sobreviventes de cancro, não é preciso dizer demasiado, compreendemos-nos umas às outras, todas sabemos do que estamos a falar. E não ficamos na tristeza. Também há sorrisos e risos!

Pascal faz questão de partilhar com as mulheres diagnosticadas com cancro da mama, as afirmações e conselhos que a ajudam todos os dias na sua caminhada. São dez coisas para se lembrar quando é mais difícil permanecer positiva:

• VIVA e aproveite.

• Faça coisas de que gosta rapidamente.

• Às vezes é difícil, mas continue positiva. Lembre-se que o copo está sempre meio cheio.

• Não se concentre no que não pode fazer. Concentre-se no que ainda é possível e sinta-se feliz por isso.

• Não fique presa em pensamentos negativos. Deixe correr as suas lágrimas, liberte-as e seque-as.

• Continue a caminhar ao ar livre. Mantenha e melhore a sua condição física. Não se feche nem se isole.

• Se se sentir a afundar, pense em todas as pequenas coisas que a fazem feliz ou saia e vá passear.

• Lembre-se de que quando uma porta se fecha, outras certamente se abrirão.

• Defenda-se. Se quer alguma coisa, vá em frente.

• Ter cancro da mama NÃO é o fim do mundo.

Pascal sabe que não está a melhorar. “Mas assim como um alimento pode exceder a data de validade e ainda estar bom, eu também posso durar muito tempo. Estou viva agora. E o que o amanhã traz, ninguém sabe! Ainda faço tudo, sinto-me bem e certamente não estou limitada. O meu copo está sempre meio cheio. O pensamento positivo leva-nos muito longe."

 

Pascal quer transformar as suas experiências com cancro da mama em algo construtivo. “Claro que a minha vida mudou completamente. Deixei de ser uma mulher demasiado ocupada com o trabalho para ser uma mulher que não trabalha e se mantém ocupada. Mas encontrei coisas para fazer e, na verdade, faço tudo o que quero. Existem tantos trabalhos voluntários divertidos onde se pode encontrar satisfação. Trabalho como voluntária para idosos com demência em lares residenciais e sou paciente de simulação no treino de médicos assistentes, para poder ajudar os futuros médicos. Estas coisas dão satisfação e sentido à minha vida. E ainda percebemos que há sempre alguma coisa nova que surge no nosso caminho."