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Como é a Quimioterapia?
A Minha Experiência com o Tratamento de Quimioterapia

Erika, uma vencedora do cancro da mama, partilha como se sentiu, física e emocionalmente,

durante a quimioterapia

Os dias que antecederam o meu primeiro tratamento de quimioterapia por infusão, foram repletos de medos e ansiedade:

como me iria sentir? Como iria o meu corpo reagir a 4 sessões de Adriamicina e Cytoxan, seguidas de 12 sessões de

Taxol? Será que iria conseguir cuidar do meu filho mais novo e de continuar a trabalhar? Antes que a minha agonia

chegasse mais longe já era quinta-feira à tarde e eu estava a passar a minha hora de almoço e o resto da tarde no centro

de tratamento do cancro, no hospital de dia.

Lembro-me claramente do primeiro dia, uma bela tarde de verão, no início de Agosto de 2015. Quando cheguei

colocaram-me no braço uma pulseira descartável com informação sobre a minha medicação e a enfermeira de serviço

recebeu-me calorosamente. Atravessamos uma série de corredores e de portas seguras até uma sala larga e soalheira

cheia de rostos sorridentes. De novo, fui calorosamente recebida pelas outras enfermeiras, pacientes e auxiliares.

Fui facilmente reconhecida como a “nova moça” com o meu cabelo completo e uma pele de aparência saudável.

Levaram-me até um sofá confortável, deram-me um cobertor aquecido e ofereceram-me água gelada. No geral a visita

começou como uma consulta médica normal, verificaram a minha altura, a tensão arterial, o peso e a temperatura.

 

Começa o meu primeiro tratamento de quimioterapia

Assim que a enfermeira canalizou a veia, iniciou a combinação de medicamentos receitados para o dia - uma sequência

que iria conhecer durante 16 visitas. Primeiro iniciaram com solução salina de soro para abrir a passagem dos

medicamentos, depois deram-me medicação para os efeitos secundários do tratamento. A seguir chegaram os sacos

com as drogas de quimioterapia e terminaram com mais soro.

Sentia-me normal e forte enquanto a medicação estava a ser introduzida para o meu corpo. Bebi litros de água para

ativar o meu sistema mais eficientemente. Pensei que iria sentir-me mal disposta de imediato, mas os efeitos secundários

para mim começaram mais tarde.

                                                Todo o processo do tratamento de quimioterapia correu tranquilamente e senti-me

                                                agradecida pelo excelente serviço de saúde onde fui tratada. Havia sempre snacks variados,                                                          bebidas, livros, a possibilidade de fazer arte-terapia e palavras de encorajamento e apoio.

                                                A quimio não era exatamente uma festa mas, felizmente, também não era um local soturno

                                                de preocupações e tristezas. Obviamente, o cancro é um Clube a que ninguém quer

                                                pertencer mas, pelo menos, as pessoas são realmente fantásticas!

                                                Nessas quintas-feiras à noite tentei descansar o mais possível, felizmente não tinha de

                                                trabalhar às sextas-feiras.

                                                O dia a seguir à quimio parecia uma ressaca enorme

                                                Na tarde seguinte, por volta das seis horas, comecei a sentir a pior ressaca da minha vida... a multiplicar por um milhão. Cada pedacinho do meu corpo doía por causa dos efeitos secundários, por dentro e por fora.

Sentia necessidade de vomitar, mas incapaz de me mexer para o fazer, completamente exausta até para abrir os olhos! Levantar-me da cama para ir à casa de banho deixava-me sem fôlego. Tratei de preparar as coisas para o meu filho

passar o resto do fim de semana fora para eu poder dormir, descansar e tentar comer alguma coisa.

Após as primeiras sessões de quimio, comecei a perceber que estava a desenvolver ansiedade por antecipação.

Não me sentia assim desde criança, quando saltava à corda com as minhas amigas, nas primeiras vezes ficava muito

nervosa a ver as outras meninas a entrarem e a saírem das cordas em movimento com total confiança, encontrando o

seu ritmo. Naquele tempo, questionei as minhas capacidades, e estava a sentir da mesma forma em relação à

quimioterapia. Seria eu capaz de entrar e sair da quimioterapia sem perder o meu ritmo normal? Ouvi inúmeras histórias

de mulheres que criaram um filho e trabalharam durante os tratamentos do cancro. E eu? Seria capaz de prevalecer?

Ou perderia o ritmo e teria que começar de novo?

Felizmente, o medo e a ansiedade dissiparam-se quando acertei o meu ritmo e me senti mais confiante com os

tratamentos do cancro. Sinto-me feliz por poder dizer que com a ajuda da minha equipa médica e o extraordinário

sistema de apoio, consegui ultrapassar 16 sessões de quimioterapia por infusão, uma mastectomia dupla com remoção

de gânglios, 25 sessões de radioterapia, 12 sessões de quimioterapia oral e, finalmente, a reconstrução mamária, com

equilíbrio e graça. E não estou apenas a sobreviver, estou a prosperar!