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Uma História de Cancro de Mama:
Corrida e Escalada
após a Mastectomia

Cada história sobre cancro de mama é única e merece ser contada, porque a sua experiência pessoal vai, certamente, ser uma enorme ajuda para outra mulher.

Nesta história de Trish, a forte atração pela aventura trouxe-lhe a força necessária.

Bettricia (Trish) Otto teve uma infância invejável, cresceu na Bermuda entre a brisa suave e as águas cristalinas do oceano Atlântico e a possibilidade de viver ao ar livre quase 24 horas por dia. Uma verdadeira “maria-rapaz”, Trish passou toda a sua vida ao ar livre, em busca da saúde e boa forma não para seguir modas temporárias mas como um estilo de vida.

A sua história do cancro de mama está relacionada com o seu estilo de vida ativa. Correr foi sempre uma enorme paixão para Trish mas, quando lhe foi diagnosticado cancro de mama em setembro de 2011, ela teve de enfrentar uma realidade de que não podia fugir, e as suas crenças sobre boa forma física e saúde foram postas à prova. Como era possível que alguém que passou toda a vida a manter a boa forma tivesse desenvolvido cancro da mama?

O primeiro sinal foi ter encontrado um caroço que deu início à sua história

Quando se estava a mudar do Wiscosin para o Oregon, Trisch descobriu um caroço na mama direita. “A minha ginecologista não conseguiu sentir o caroço quando me examinou mas ela achou que seria boa ideia fazer uma mamografia de despiste que também não revelou nada. Fiz uma ecografia que me levou à biopsia e na sexta-feira antes do Dia do Trabalhador, em 2011, recebi a chamada que deu início à minha história de cancro de mama.”

“Sou podóloga, por isso conhecia muitas pessoas que trabalhavam na Clínica. A primeira pessoa a quem liguei foi o radiologista. Também falei com um amigo que é cirurgião plástico e pedi-lhe ajuda para comparar lumpectomia com  mastectomia unilateral ou bilateral. O meu marido estava presente quando anunciei que queria avançar com a mastectomia bilateral. Lembro-me de o ver a abanar a cabeça num sim claro, por me conhecer tão bem. Ele sabia perfeitamente que eu iria passar o tempo todo obsessivamente a pensar na possibilidade de recidiva do cancro.

A vida é complicada para uma corredora com uma história de cancro de mama

Apesar da ressonância magnética de confirmação não mostrar evidência de cancro (parecia que todo o tumor tinha sido aspirado na biópsia), Trish decidiu avançar com a Mastectomia bilateral. Fez duas cirurgias corretoras por causa de hematomas recorrentes.

“O oncologista ficou tão preocupado com os hematomas que ficou a pensar se eu teria algum problema de coagulação. Fiquei tão exausta que não consegui levantar-me do sofá durante os dois dias seguintes. Falaram sobre uma transfusão mas acabei a tomar Venofer que consiste  em sacarose de ferro por via endovenosa. O medicamento fez maravilhas! Algumas pesquisas hoje em dia comprovam que corredores de fundo podem desenvolver falta de ferro, o que pode explicar porque é que tive aquele problema. Eu fiquei feliz apenas por ver a situação resolvida.”

Filosofia de Trish para o cancro da mama: Apenas continua a correr

Trish e a família tinham-se mudado para Portland, Oregon, quando ela iniciou a quimioterapia. “Continuei a correr durante todo o tratamento de quimioterapia e acredito realmente que isso ajudou a manter elevado o meu nível de energia e a sentir-me o mais normal possível. Na verdade, tentei manter-me sempre o mais ativa possível logo após a mastectomia pois sabia que isso me ia ajudar a resistir.”

Tal como muitas mulheres que contam as suas histórias com o cancro de mama. Trish admite ter passado por momentos de pavor. “Acordava a meio da noite apavorada e a pensar ‘Oh meu Deus o que foi que causou isto?’ A minha filha tinha apenas 4 anos quando fui diagnosticada, e eu passava o tempo preocupada se iria vê-la crescer. Creio que algumas destas reações estavam relacionadas com os esteroides e a medicação.”

Trisho acredita que o facto de ser médica foi útil e o cancro ajudou-a a entender melhor os seus pacientes. “Apesar da minha especialidade médica não ter nada a ver com cancro, hoje em dia há pacientes oncológicos que vêm ter comigo só para falarem. Ficam muito espantados por eu me identificar tão bem com as suas histórias de cancro de mama e com o que estão a sentir. Também fez uma enorme diferença no tratamento dos meus pacientes. Consigo perceber melhor o que se sente quando temos de ir a muitas consultas com vários médicos e vários tratamentos.”

Ultrapassar a história do cancro da mama para escrever uma história de alpinismo

Em busca de formas para eliminar o medo e a depressão causados pelo diagnóstico de cancro de mama, Trish envolveu-se com o projeto CLIMB to Fight Breast Cancer® (escalar para combater o cancro de mama) do Centro de Pesquisas de Cancro Fed Hutchinson e ela acredita que isto foi fulcral na sua recuperação.

Através deste programa, Trish escalou montanhas como O Mount Rainier, Mount Hood e Mount St. Helens que não foram tarefa fácil. Uma das suas companheiras de escalada foi Lynn uma tripla sobrevivente de cancro de mama com 71 anos e a sua própria história para contar. Apesar da Lynn ter desenvolvido metástases nos ossos, Trish nunca conheceu alguém mais em forma e com mais vida.”Ela é absolutamente fantástica. Eu sou viciada em adrenalina, mas a Lynn faz isto desde os 20 anos. Ela é extraordinária.”

Claro que nem todas as sobreviventes do cancro de mama vão partilhar do desejo de escalar montanhas, mas Trish diz que quando enfrentamos algo que parece intransponível podemos sempre re-escrever o roteiro. Família, metas, sonhos para o futuro - pode fazer de cada uma destas coisas o foco para a sua história do cancro da mama, a doença perde definitivamente algum do seu poder.