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Histórias de Gravidez Após o
Cancro da Mama

Tentar engravidar após uma história de cancro da mama é uma coisa comum, pois um dos momentos mais emocionantes da vida de uma mulher - a gravidez - pode rapidamente azedar quando é complicado com um diagnóstico de cancro da mama.

Falámos recentemente com três profissionais de saúde sobre os problemas e os desafios causados pelo cancro da mama durante a gravidez e, também sobre gravidez após o cancro da mama.

  • Paul Browne é obstetra e diretor do Serviço de Medicina Materno-Fetal no Centro Médico DeKalb na cidade de Atlanta.

  • Ruth O’Regan é médica oncologista no Winship Cancer Institute no Emory Healthcare em Atlanta.

  • Joyce King, Enfermeira de Família e Parteira Certificada é Professora Assistente da Escola de Enfermagem da Universidade de Emory e duplamente vencedora de cancro da mama.

Gravidez Após Cancro da Mama e FAQs

Gravidez depois de uma história de Cancro da Mama

Será O Cancro Da Mama Entre Mulheres Jovens (Pré-Menopausa) mais Comum Hoje Em Dia?

Browne: A gravidez após uma história de cancro de mama é cada vez mais frequente, pois vêm-se mais mulheres grávidas com cancro da mama, mas não porque há um aumento de cancro entre as mulheres jovens.

Ao contrário, são os tratamentos do cancro cada vez mais aperfeiçoados que permitem maior taxa de sobrevivência, aumentando nas mulheres curadas a possibilidade de ter filhos. Por isso, este resultado de aumento de gravidez após o cancro da mama.

 

O’Regan: Felizmente, o cancro da mama em mulheres jovens é raro. No entanto, já tratei pacientes com cerca de 18 anos. Por isso, nesta faixa etária é natural a gravidez após o cancro da mama.

King: As incidências de cancro da mama não estão a aumentar, seja nas mulheres mais jovens ou nas mais velhas. No entanto, a consciencialização do público sobre a doença é muito maior do que costumava ser e surjem mais mulheres que conseguem engravidar após o cancro da mama. A idade continua a ser o fator de risco principal para o desenvolvimento da doença – a idade média de diagnóstico é 65 anos. Ouvimos falar nas estatísticas que uma em cada oito mulheres desenvolve cancro da mama, mas isto é numa faixa etária até aos 90 anos. O risco de desenvolver cancro da mama antes dos 30 anos é muito baixo, cerca de uma em cada 2500 mulheres. Isto significa que a gravidez após o cancro da mama pode acontecer em várias idades.

De facto, a média de incidências de cancro para as mulheres de todas as idades aumentou nos anos 70 e 80, mas estabilizou no anos 90 e tem-se mantido no mesmo nível desde então.

Hoje em dia, há muitas mulheres a adiar a gravidez para quando são mais velhas. A análise dos casos de cancro demonstra que o facto de nunca terem estado grávidas ou terem adiado para quando forem mais velhas é um fator de risco significativo.

Histórias de Gravidez Após Cancro da Mama: a detecção precoce é fundamental para sobreviver ao cancro. Quando é Aconselhável as Mulheres Jovens Iniciarem o Auto-Exame da Mama e Outras Medidas de Triagem?

O’Regan: Uma mulher jovem deve começar a fazer auto-exame assim que começa a procurar um ginecologista para exames clínicos. É importante que as mulheres comecem a auto examinar-se numa idade jovem. Os quistos são comuns em adolescentes, por isso é bom começar cedo a conhecer o seu tecido mamário. Com a triagem regular, é mais fácil detectar qualquer anormalidade que deva ser observada numa gravidez após um cancro da mama. Aconselho as mulheres a usar mais de uma técnica na triagem do cancro: um auto-exame mensal, exames anuais com um profissional de saúde e mamografias anuais - para que o cancro possa ser detectado antes que seja tarde demais para tratar.

King: Deve-se começar assim que os seios surgem. Conheço uma mulher de 22 anos de idade que durante a gravidez já tinha uma grande massa numa mama, provavelmente tinha cancro desde a adolescência, porque o cancro desenvolve-se lentamente. A American Cancer Society recomenda um auto-exame da mama mensal. A maior preocupação das mulheres com o auto-exame é o receio de não saberem como o conduzir corretamente. O método para fazer o auto-exame mudou. Em vez de movimentos circulares à volta da mama, é recomendado um método linear. Deve começar debaixo do braço e ir avançando em direção ao externo. As mamas são mais densas nas mulheres mais jovens o que reduz a precisão das mamografias. A mamografia é 75% mais precisa abaixo dos 50 anos. Após os 50 anos os resultados são 80% confiáveis. Mas a mamografia, em simultâneo com um exame profissional, ainda é o melhor método para detetar o cancro da mama numa fase inicial.

Histórias de Gravidez Após o Cancro da Mama: E Quanto Às Pílulas Contracetivas? Têm Algum Efeito no Cancro da Mama?

King: A U.S. Public Health Service Task Force que analisa os cuidados de saúde preventivos, não tem opinião - o que significa que não vê nenhuma evidência de que os auto-exames sejam prejudiciais ou úteis. Não existem bons estudos que afirmam que diminui a mortalidade, inclusive na gravidez após cancro da mama. Pesquisas mostraram que as pílulas contracetivas diminuem o risco de cancro dos ovários e do endométrio, enquanto não têm impacto no cancro da mama. No entanto, a maioria das mulheres em controle de natalidade é avaliada regularmente por um profissional de saúde e, portanto, são também rastreadas para cancro de mama.

Histórias de Gravidez Após Cancro da Mama: De Que Forma o Cancro da Mama Afeta a Gravidez? O Cancro Desenvolve-se Mais Depressa, por Exemplo? O Cancro pode Afetar o Feto?

Brown: Durante a gravidez, enormes níveis de progesterona e estrogénio são libertados no sangue. Isto estimula os tumores positivos para o recetor de estrogénio que vão crescer muito mais rápidos numa mulher grávida.

O cancro da mama também coloca a paciente grávida numa situação de ter de fazer opções de tratamento que podem prejudicar o bebé. As opções de tratamento do cancro, incluindo cirurgia, radioterapia e quimioterapia, todas apresentam riscos potenciais para o feto. 

A quimioterapia, por exemplo, infunde o corpo com venenos. Pode causar um aborto espontâneo nos meses iniciais da gravidez e o crescimento deficiente do feto, na parte final da gravidez. A cirurgia, como uma mastectomia, requer que a paciente seja submetida à anestesia. E, em estudos efetuados, a anestesia demonstrou ser um fator de risco de aborto. A radiação durante a gravidez pode fazer com que a mãe aborte no primeiro trimestre e também aumenta as probabilidades da criança vir a desenvolver cancro à medida que envelhece.

Como resultado de cada um destes riscos, as mulheres têm de enfrentar a dura decisão entre iniciar ou não o tratamento antes do fim da gravidez. Se escolherem adiar o início do tratamento para depois do bebé nascer, o cancro pode desenvolver demasiado diminuindo as suas hipóteses de sobrevivência.

 

O’Regan: O cancro da mama não tem impacto no feto que está protegido pela placenta. As células cancerígenas da mama não conseguem passar através da placenta. No entanto, existem outros tipos de cancro que podem afetar o feto. Como o cancro da placenta que é muito raro. O Melanoma (cancro da pele) é extremamente comum e consegue passar pela placenta, tal como observado em estudos efetuados. Quando se trata de gravidez as opções de tratamento são menores. A radioterapia por exemplo, não é opção para pacientes grávidas. A única opção cirúrgica possível é a mastectomia. É impossivel fazer a dessecção dos gânglios porque não se pode usar o corante azul no gânglios linfáticos. Alguns medicamentos usados na quimioterapia, tais como a adromicina e a citocina podem ser administrados no segundo e terceiro trimestre sem riscos para o feto. No entanto, durante o primeiro trimestre de gravidez, não deve ser feito qualquer tratamento de quimioterapia.

King: O problema é que as alterações físicas da mama durante a gravidez podem afetar o diagnóstico precoce e há maiores dificuldades no tratamento do cancro da mama. Quanto à detecção: durante a gravidez, as mamas são maiores, mais firmes e densas, o que dificulta o diagnóstico por meios convencionais, como a mamografia. Nos seios densos, é preferível usar a ecografia para distinguir entre massas císticas e massas sólidas. Muitas vezes, também surgem problemas com hematomas causados por biópsias da mama. Os estudos feitos mostram que o tratamento traz complicações acrescidas. As mulheres grávidas são mais propensas a formar coágulos sanguíneos, não pode fazer dissecação do gânglio sentinela pois o corante tem químicos que podem prejudicar o feto. A radioterapia tem de ser adiada para depois do parto. Apesar de haver certos medicamentos usados na quimioterapia que a grávida pode tomar, os efeitos que podem causar no feto a longo prazo ainda não estão bem definidos. Embora se faça quimioterapia há mais de 20 anos em mulheres grávidas e isso não pareça ter um efeito sobre a criança, os dados são ainda limitados na experiência médica.

Histórias de Gravidez Após Cancro da Mama: Quais São Alguns Equívocos mais Comuns Sobre Cancro e Gravidez?

O’Regan: Há uma série de equívocos relacionados com a gravidez após o cancro, um deles é a ideia que as mulheres que fizerem tratamento do cancro nunca mais podem engravidar. Isso é falso, na verdade, muitas pacientes engravidam após o cancro da mama e há muitas histórias que o comprovam. No entanto, nem sempre é assim.

Recomendo às mulheres que fizeram tratamentos para o cancro da mama que esperem pelo menos dois anos para ficarem grávidas pois é quando há a maior hipótese de recidiva. Além disso, os estudos comprovam que tomar tamoxifeno após o tratamento vai prolongar o tempo para uma mulher poder engravidar.

Browne: O maior mito é que as mulheres podem fazer o especto completo de tratamento durante a gravidez. Isso não é verdade, se escolherem fazer o tratamento, o mesmo tem de ser alterado tendo em consideração a gravidez.

Histórias de Gravidez Após Cancro da Mama: Quais os perigos de ser jovem e a lutar contra o cancro? É mais agressivo em mulheres mais jovens por causa do aumento dos níveis de estrogénio? Há tendência para o cancro ser menos detetável entre as mulheres mais jovens e só se revelar quando está mais avançado?

Browne: O cancro da mama é mais difícil de diagnosticar através de qualquer método de exames de diagnóstico, durante a gravidez. A mama altera e torna-se mais densa. Isto também é verdade durante a amamentação. Por isso é mais difícil de identificar um tumor pequeno, os exames são menos exatos. As grávidas estão preparadas para mudanças nos seios por isso, se sentirem algo anormal vão descartar como uma alteração relacionada com a gravidez e não com um possível tumor. Aconselho a pedir uma confirmação com um exame geral. E não parar de fazer auto-exame mamário durante a gravidez.

King: As mulheres mais jovens tendem a ter formas mais agressivas de cancro. Principalmente porque são mais predispostas a tumores que não são sensíveis ao estrogénio, por isso não podem tomar tamoxifeno que pode bloquear o efeito do estrogénio.

Histórias de Gravidez Após Cancro da Mama: Quais as Precauções Especiais que as Mulheres Grávidas Devem Ter se Tiverem Cancro? O Que Precisam de Evitar?

Browne: As mulheres grávidas com cancro devem ter cuidado com a alimentação delas. Por exemplo, precisam de mais proteína para alimentar o bebé e para reparar o seu corpo. O aconselhamento médico é fundamental.

King: Inicialmente precisam de evitar radioterapia assim como os exames que emitem radiações, tais como Ressonância Magnética e TAC aos ossos, cérebro e fígado. Algumas técnicas de diagnóstico podem aumentar o risco de aborto ou impedir o feto de crescer. Alguns tratamentos também podem aumentar o risco de malignidade e leucemia na infância, podendo também causar defeitos congénitos.

Histórias de Gravidez Após Cancro da Mama: Existem atividades que os pacientes precisam fazer, como por exemplo uma dieta especial ou outros cuidados, já que o seu corpo está a passar por stress devido à gravidez e ao cancro?

King: Isso é algo muito individual mas a regra geral, é cuidar de si própria comendo uma dieta equilibrada, fazendo exercício físico adequado, descansar muito e continuar a tomar as vitaminas prenatais. Pode pedir mais esclarecimento ao seu médico.

 

Browne: As pacientes que lidaram melhor com esta situação apoiaram-se num sistema de apoio da sua família e amigos. Por isso, recomendo às pacientes que se apoiem no seu grupo familiar e de amigos bem como procurem outros grupos de apoio, se sentirem necessidade.