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Qual a Sua Resposta Emocional Face ao Diagnóstico de Cancro
da Mama?

Eis alguma informação fascinante sobre o efeito causado no corpo físico por emoções como a raiva, a tristeza e a alegria. Qual a melhor forma de lidar com estas emoções.

As emoções, tal como a resposta emocional ao diagnóstico de cancro da mama, podem ser vistas como formas de energia que fluem ao longo de nosso sistema elétrico interno, que é regulado pelos nossos padrões respiratórios. As emoções são uma reação fisiológica normal aos pensamentos.

De acordo com a teoria da análise bioenergética e outras formas somáticas de psicoterapia, nas quais as questões psicológicas são compreendidas e tratadas através do corpo, cada uma das quatro emoções básicas é expressa ao longo de seu próprio caminho fisiológico.

Ao lidar com o diagnóstico de cancro da mama, os processos de luto podem ser bloqueados por falta de desenvolvimento emocional. Com isto em mente, é importante que se familiarize com alguma informação básica sobre a forma como as emoções operam no corpo.

Respostas Emocionais Comuns ao Diagnóstico de Cancro da Mama

 

Sentir Raiva

Uma das respostas possíveis, a raiva, normalmente sobe pela parte de trás do corpo ao longo da coluna, por cima da cabeça e sai pelos olhos e pela boca. Como a raiva tende a mover-se pela parte de trás do corpo, ela reflete-se em expressões como "uma dor no pescoço".

Se observar atentamente o seu corpo antes de expressar a sua zanga ou raiva, é provável que sinta uma onda de energia através dos olhos e os maxilares contraídos. Uma resposta emocional ao diagnóstico de cancro da mama não precisa de criar uma tensão corporal como esta.

Todas as emoções seguem um padrão de acúmulo e descarga natural dentro do corpo. Dizer que está com raiva, soprar o ar com um som audível, fechar fortemente as mãos ou bater com o punho na palma da outra mão são exemplos de expressão corporal da raiva.

Como todas as emoções, a raiva é sentida em diversos graus de intensidade. Pode dizer-se que inicia numa zanga mediana que pode ser descrita como irritação ou aborrecimento, continuando até ao extremo oposto que é a ira.

 

Quando se sente zangada, mudar os pensamentos para tentar perceber a situação de maneira diferente, pode ajudar a não produzir raiva mas, ainda assim, vai continuar sob a energia da raiva original que sentiu.

Se a raiva é moderada, dizer que se sente com raiva pode ser suficiente para deixá-la ir. Mas se tem muita raiva, pode sentir a necessidade de fazer algo mais completo para se libertar desta emoção. Libertar a raiva de maneira saudável e produtiva permite que todo o processo de resposta emocional se torne mais fácil.

Como a ira é uma emoção que as mulheres devem reprimir socialmente, muitas consideram-na assustadora ou de mau gosto. As mulheres geralmente mantêm a raiva sob controle, o que cria muita tensão física e, frequentemente, dores de cabeça e nós dolorosos nos músculos da parte superior das costas.

Gerir a raiva de forma produtiva e cuidadosa

As mulheres precisam de aprender que têm direito a fazerem-se ouvir e expressar a raiva que sentem faz parte de ganhar voz e de se afirmarem. A raiva pode dar-nos energia ea força interior necessária para lidar com um problema.

Foi minha raiva e frustração com os artigos pós-mastectomia disponíveis na altura, o que me motivou a encontrar novas maneiras de alterar a minha roupa. Libertar a raiva de maneira saudável e produtiva diminuiu a resposta emocional ao meu diagnóstico de cancro da mama.

É importante que a libertação física seja realizada tendo presente a razão porque sente raiva para que a experiência seja integrada. Depois de entender porque está com raiva vai conseguir libertá-la. Isto evita que se sinta sobrecarregada e ajuda a iniciar a cura emocional.

Ficar em pé quando se sente com raiva aumenta o risco de perder o controle, por isso uma boa opção é deitar-se com os olhos abertos (para libertar a energia mais rapidamente), e bater no colchão com os punhos alternadamente.

Nota: Bater os punhos na cama é uma opção que só pode usar antes da cirurgia ou após a cicatrização da mastectomia. Logo após a cirurgia e até à cicatrização lembre-se que não poderá movimentar o braço afetado nem bater com o punho.

 

Outras formas de controlar a raiva

Uma alternativa ao ultimo exercício consiste em ajoelhar-se no chão e usar uma raquete de ténis para bater numa pilha de almofadas colocada no chão ou num colchão. Movimente a cabeça para a manter sempre ao nível dos braços.


Mantenha os olhos abertos sempre que estiver a fazer exercícios para libertar a emoção da raiva ou acabará com uma dor de cabeça lancinante. Caso se tenha esquecido de manter os olhos abertos e desenvolver uma dor de cabeça, basta abri-los e bater nas almofadas mais umas vezes.

 

Se parte da sua raiva vem de pensar sobre como nos seus primeiros anos de infância se reprimiu e como isso atrapalhou o seu crescimento emocional, libertar a raiva como uma criança pode ser muito apropriado. É fundamental aprender a adaptar a sua resposta emocional para se adequar às suas experiências.

Se tem filhos, ensine-os a libertar as emoções de formas saudáveis. Se eles já conhecerem formas seguras e não violentas para libertar a raiva, será mais simples para todos quando tiver de libertar a sua própria.

Assim que tiver ultrapassado a sua raiva, pode ligar-se de novo aos seus filhos para que eles possam ver que já está tudo realmente bem. Ter um grupo familiar e unido que lhe dão suporte será sempre de grande ajuda.

Sentir-se Triste

A tristeza é outra resposta emocional ao diagnóstico de cancro da mama, uma emoção delicada que sobe pela parte da frente do corpo, através da garganta, até ao rosto e aos olhos. É libertada através do choro.

O fluxo da energia da tristeza é frequentemente bloqueado restringindo a respiração, o diafragma (músculo essencial para a respiração) contrai e segura a tristeza no estômago, ou contraindo os músculos da garganta.

Uma maneira eficaz de corrigir os bloqueios da tristeza é respirar lenta e profundamente pelo nariz expandindo o abdómen e o diafragma e expirar pela boca lentamente.

A maioria das mulheres sente-se mais confortável a expressar tristeza do que raiva. Elas percebem que começam a chorar assim que tentam libertar a raiva mas é fundamental avançar apesar disso.

Depois de ter limpo a energia da raiva e alcançado a tristeza, permita-se aninhar-se e chorar como um bebé, enquanto se abraça a alguém ou a alguma coisa macia e nutridora como um peluche ou uma almofada, para ajudar a estimular a resposta emocional à tristeza.

 

Uma Reação Inesperada ao Diagnóstico de Cancro da Mama:

Sentir Alegria

Tal como a tristeza, a alegria é experimentada inicialmente na parte da frente do corpo, subindo e descendo a todo o comprimento do tronco. A alegria pode ser sentida como energia sexual na zona genital ou pode ser sentida em qualquer outra zona. Esta é certamente a resposta emocional mais complexa ao diagnóstico de cancro da mama.

Dançar, cantar sorrir e saltar são todas forma de libertação do sentimento de alegria (“saltar de alegria”). Por vezes a alegria também é libertada sob a forma de lágrimas, o que pode acontecer sempre que uma pessoa sente alegria intensa.

As emoções resultantes do diagnóstico do cancro da mama são muito variadas. É natural sentir grande alegria ao receber gestos meigos e ofertas daqueles que nos apoiam.Ouvir o médico dizer que o cancro não se espalhou, por exemplo, resultará numa sensação de alívio que é uma forma de alegria.

Ao longo da jornada com o cancro da mama, muitas mulheres têm tendência a bloquear ou a prender manifestações de alegria, principalmente se em crianças foram educadas para segurar as manifestações. As crianças adoram saltar, cantar e dançar porque isso faz libertar a alegria.

Respirar profundamente com rapidez vai ajudar a espalhar a energia da alegria através do corpo.

 

Sentir Medo

O medo geralmente é sentido na boca do estômago. Pode mover-se através da frente do corpo ou pode mover-se ao longo da coluna vertebral. Naturalmente, é uma resposta emocional comum ao diagnóstico de cancro da mama e sentir-se “apertada” é uma resposta física normal.

Enrijecer o corpo é uma tentativa de evitar o medo, que é libertado por tremores ou calafrios. Pense numa criança a fazer o seu primeiro oral frente à turma toda. Ela pode passar pelo constrangimento de sentir tremer as pernas e as mãos que não conseguem manter o papel parado.

O resultado é que a criança aprenderá a manter a respiração superficial e a contrair os músculos para impedir o tremor. O medo é uma emoção muito comum que surgirá muitas vezes nas mulheres que estão a atravessar a jornada do cancro da mama.

O medo vai desaparecer mais rapidamente se deixar a energia ser libertada através dos tremores, desde que esteja em segurança. Se ainda estiver a viver uma situação assustadora, os seus pensamentos vão continuar a dizer-lhe que você não está segura e a gerar mais medo.

Assim  que os seus pensamentos forem consistentes com a sensação de estar segura, o medo ou terror vão passar mais rapidamente se conseguir respirar lenta e profundamente. Relaxe os seus músculos para permitir que o corpo “sacuda” o medo. Isto pode ajudar sempre que se sentir assustada, durante procedimentos relacionados com o seu diagnóstico de cancro da mama.

Ao afirmar para mim mesma que eu ia ficar bem, libertei o medo que já tinha sido gerado. Também preveni o sentimento de medo futuro, ao colocar na minha mente pensamentos positivos.

 

Abrace e Experiencie a sua Resposta Emocional

Quando você desenvolver a capacidade de reconhecer as suas emoções e de as libertar através da respiração profunda, entenderá que, embora os seus pensamentos criem emoções que o seu corpo precisa de libertar, é você quem as controla.

Para as pacientes que têm dificuldade em processar os seus sentimentos, costumo recomendar que reserve um certo período de tempo por semana para se focarem no eu emocional. Este exercício permite aprofundar sentimentos e, ao mesmo tempo, criar liberdade contra a intrusão constante que pode advir de emoções negativas indesejadas.

Se estiver a trabalhar e se sentir triste, zangada ou assustada, estes sentimentos vão interferir com a sua concentração e com o seu bom desempenho. Diga a si própria “estipulei tempo para pensar nestes sentimentos para terça-feira das 19h00 às 20h00, nessa altura penso nisto.” Esta decisão vai ajudá-la a isolar os seus sentimentos, tornando-os mais fáceis de gerir.

Se não seguir adiante, pensamentos e sentimentos continuarão a distrair a sua mente. É a maneira do seu subconsciente a forçar a lidar com as suas emoções. Se permanecer fiel à rotina que definiu para si própria vai ficar muito surpreendida com o resultado.

O preço que pagamos por reter as respostas emocionais ao cancro da mama é aniquilar a alegria. Quando se permite respirar profundamente está a abrir um acesso para o seu eu emocional. Evitar as suas emoções limita a sua capacidade de expressão.

É fácil transferir a nossa raiva para o médico ou para o nosso companheiro, através do sarcasmo, ou esconder o medo e a tristeza sendo evasivos. Aprender a expressar as minhas emoções como é desejável, permitiu-me libertar a tensão que existia na minha família e na minha vida social.

Hoje penso nas minhas emoções como ondas. Tive de aprender a ultrapassá-las à medida que vêm e vão. Quanto mais aprendemos a aceitar, experimentar e libertar as nossas emoções sem julgamento, mais nos sentiremos inteiros e completos e encontraremos a força interior e o otimismo para seguir em frente - e menos sofreremos.